sexta-feira, 25 de junho de 2010

Links importantes


Estou disponibilizando o link que encontrei com diversos endereços eletrônicos com site para pesquisa, acervos de fontes on line e bibliotecas. Espero que ajude alguns de vocês!!!

http://www.dhi.uem.br/index.php?option=com_content&view=article&id=38&Itemid=204

domingo, 20 de junho de 2010

GUERRA AOS GIBIS


Faz tempo que revista em quadrinho é chamada de gibi no Brasil, o termo provavelmente veio da revista Gibi Trissemanal, lançada em 21 de abril de 1939 por Roberto Marinho. Inicialmente o termo gibi tinha conotação negativa; dizia-se que induzia seus leitores ao crime. Ao pé da letra, o título "gibi" significava "negrinho", tanto que no alto da capa da revista vinha sempre um menino negro com a mão levantada pronunciando a palavra pelé (será que veio daí o nome do jagodor de futebol?)A cruzada contra os quadrinhos começou dos anos de 1930 na Itália, quando Benito Mussolini baniu a publicação importada dos EUA. Os quadrinhos, diziam "desnacionalizavam" as crianças e incuntiam nelas "uma cultura alienígena". Essa mesma visão chegou no Brasil através dos padres que começaram a escrever artigos contra os quadrinhos. O Ministério da Educação e Cultura dizia também que essas histórias prejudicavam o rendimento escolar. Depois o psiquiatra americano Frederic Wertham alardeou que os quadrinhos de crime e terror induziam os leitores a violação da lei, a prostituição e ao homossexualismo. Mesmo em meio a tanta polêmica, a revista continuava vendendo tanto que, em abril de 1940, o Gibi Trimestral foi transformado em Gibi Mensal. Logo surgiram álbuns especiais com histórias completas e a Coleção Gibi. Depois da Segunda Guerra Mundial, o confronto entre editoras de jornais colocou os quadrinhos como alvo preferencial dos inimigos do Roberto Marinho, como por exemplo Orlando Dantas, do Diário de Notícias, Carlos Lacerda, da Tribuna de Imprensa e Samuel Wainer, de Última Hora, eles fizeram uma campanha para responsabilizar Marinho do aumento da criminalidade infanto-juvenil no Brasil. Em 1964, alguns projetos de lei tramitaram no Congresso Nacional. O tempo passou e o mercado de quadrinhos entrou em declínio e a conotação pejorativa dessas publicações acabou se afastando da palavra gibi. Foi justamente na década de 60 que a palavra gibi virou sinônimo apenas de uma simples e divertida revista para todas as idades.
Fonte: Revista História da Biblioteca Nacional, ano 5, número 55, abril de 2010. Gonçalo Júnior,autor do livro: A guerra dos gibis(Companhia das Letras, 2004)

Se ao Mundo Predissesses teu Morrer

Se ao mundo predissesses teu morrer
na morte a natureza ir-te-ia à frente
volvendo com mandado intransigente
no eterno esquecimento o próprio ser

O céu se rosaria docemente
por do teu corpo a roupa enfim descer
florestas tingiria o teu sofrer
de negro e a noite o mar barca silente

Luto sem nome com estrelas mede
a estela ao teu olhar no arco celeste
e a escuridão de espesso muro impede

que a luz da nova primavera preste
A estação vê nos astros que pararam
as cisternas que a morte te espelharam.

Walter Benjamin, in "Sonetos"

...Sentiremos sua falta...

domingo, 13 de junho de 2010

O tcheco que deu samba



A música que se ouvia no momento da invenção dos métodos de gravação era bastante diferente daquilo que se pode ouvir hoje, mesmo como registro histórico. O samba antes de ser gravado, era música para ser cantada numa roda de pessoas nas horas de lazer. Para isso não precisava de letras, como se entende agora, mas apenas de um refrão que todos pudessem repetir, ao qual se entremeava um verso improvisado. Na falta de instrumentos acompanhava-se o canto das palmas. A palavra "samba" designava tanto a música como a reunião, o encontro. As primeiras gravações no Brasil começaram com a chegada de um imigrante tcheco chamado Frederico Figner que desembarcou em Belém do Pará em agosto de 1891. Trazia na bagagem um fonógrafo de cera, matéria-prima necessária para gravar vozes. Ouvir uma voz gravada nessa época era uma experiência única, que as pessoas pagavam por essa maravilha.Figner sabendo disso, trouxe a novidade, passou a cobrar um valor para as pessoas gravarem suas vozes, qualquer bravata era gravada, e todos se reunião para ouvir a novidade. Em abril de 1892, Figner foi para o Rio de Janeiro e desenvolveu outra técnica, passou a chamar músicos de rua, cantores locais para gravar suas composições, tudo era gravado no quintal da sua loja de discos, o seu trabalho improvisado, acabou por transforma Figner no pioneiro no ramo de gravações de discos nacionais. A impossibilidade de gravar instrumentos de percussão e corais, dadas as condições técnicas da época, obrigava mudanças na própria maneira de cantar. Com o tempo os artistas locais passaram a ser reconhecidos nas ruas, mudando os hábitos do cotidiano da cidade. E, 1916, um gênio chamado Donga percebeu que a música gravada já tinha presença suficiente para se tornar o ponto central da produção. Então ele juntou pedaços de músicas que faziam sucesso, surgindo assim o samba, criado especificamente para o Rio de Janeiro, e que depois ficou conhecido por todo o Brasil. Logo depois veio o Jazz, muito próximo do primeiro lançamento do Donga. O mais interessante em tudo isso é que tudo começou com um tcheco que mal falava o português.
fonte:Revista História Viva,ano 1, número 1 - Nov. 2003, p. 68,69 e 70.

domingo, 6 de junho de 2010

Um filme intrigante...


Diversas pesquisas de historiadores discutem a relação dos excluídos, sejam eles flagelados da seca,judeus, negros, mulheres, pobres, doentes, idosos e o Estado. Geralmente quando eles (os excluídos) precisam ser retirados de algum espaço urbano, diversos poderes e instituições surgem com discursos científicos ou morais, para justificar o processo de retirada. E por esses dias, assisti a um filme que retratou essa temática, de uma forma inusitada, estou falando do filme Distrito-9 de Neill Blomkamp e Terri Tatchell, que já surpreende logo no inicio pela escolha do cenário, a cidade de Joanesburgo na África do Sul, e não as típicas cidades norte-americanas tão “batidas” nos filmes atuais. A história do filme é a seguinte: Uma raça extraterrestre, que aterrou na terra há 20 anos, vive segregada dos humanos numa área chamada Distrito 9 em Joanesburgo, os ETs com o tempo foram sendo instalados num distrito da cidade, que logo virou favela. A eles foi dado o apelido pejorativo de camarões. A Multi-National United (MNU) é a empresa que fica responsável pelo controle dos alienígenas e pela relocalização da sua população, mas tem também outros interesses como o de tomar posse da biotecnologia dos alienígenas para fabricar um perigoso armamento.A tensão entre humanos e extraterrestres cresce, sobretudo quando Wikus van de Merwe (Sharlto Copley) um operacional da MNU, contrai um vírus contagioso que modifica o seu DNA e que as poucos o transforma em um dos ETs. Wikus torna-se homem mais procurado do mundo sendo obrigado a fugir, e sem casa e sem amigos, só tem um lugar onde se esconder: o Distrito 9. Admito que o roteiro do filme não seja nada bom, mas a crítica realizada nele é fantástica, primeiro porque é usada a linguagem dos documentários, que dá o dinamismo da história, tem sempre um estudioso dando inúmeras explicações vazias para tudo que acontece. As formas de exclusão dos ETS demonstram a relação de poder do Estado para com os pobres e desabrigados, sobre a formação de favelas, o combate a criminalidade. O diretor poderia ter usado qualquer grupo social para caracterizar os renegados do sistema, mas a sua preferência acima de qualquer discussão do ponto de vista sócio-cultural foram os ETS. Assista a esse filme, ele vai surpreender você!